Luis Vabo Jr: People skills e o futuro das empresas.

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Luis Vabo Jr
Luis Vabo Jr

Luis Vabo Jr., traz perspectivas acerca do futuro do desenvolvimento das lideranças, a importância das soft skills no universo corporativo e como a inserção dessa temática é emergencial desde o ambiente acadêmico. 

Engenheiro por formação, professor por vocação e empreendedor por missão. É assim que Luis Vabo Jr. se define, mas é como especialista em oratória e liderança que ele vem se destacando como um dos maiores influencers em comunicação e people skills do Brasil. Empreendedor desde quando estudava na PUC do Rio de Janeiro, sua trajetória passou por grandes empresas como Stone, Sieve Group, mas o ambiente educacional sempre esteve presente. Foi quando se mudou para São Paulo como professor no Insper que a tríade de sua jornada profissional tomou forma, a partir da educação empreendedora, criação de novos negócios e mais recentemente no desenvolvimento de people skills, como mentor do G4 Educação.  

O que te inspirou a seguir carreira na área da educação, gestão de pessoas e empreendedorismo? Como você entende que essas áreas se conectam?

Faz 12 anos que eu estou em sala de aula e na arena empreendedora. O grande desafio que une essas áreas é construir, engajar e desenvolver um time alinhado com a cultura e valores de uma empresa. Os fatores que determinam meus alunos conseguirem sucesso, felicidade, crescimento e desenvolvimento são essas habilidades comportamentais socioemocionais. Acredito que, é por meio da cultura que uma empresa consegue estruturar o conjunto dos valores e princípios, por isso, conectar essas duas áreas me faz ter a certeza que isso é que precisa ser trabalhado hoje. A minha contribuição nessa arena educacional é desenvolver esse lado humano através da ciência dos dados a partir de ferramentas e comunicação.

Quais são os erros mais comuns que você vê as lideranças cometerem na comunicação?

A comunicação é a habilidade mais importante nos seus dois componentes fundamentais: o ato de falar e o ato de ouvir. Hoje eu a divido em três níveis, a oratória, a escutatória e a de você por você mesmo. Os erros mais frequentes são exatamente nesses três grandes grupos.  O líder se preocupa muito em falar e pouco em ouvir. Ele precisa construir canais de diálogo com o seu time. O segundo ponto é saber se comunicar de forma efetiva, usando o tom de voz correto, a linguagem e entender que ele é o responsável pelo que o outro entende e não o contrário. E como terceiro ponto está o autoconhecimento, para conseguir se analisar e processar se a história que eu estou contando é eficaz o suficiente para aquelas pessoas.

Quais são as habilidades comportamentais que você considera essenciais para uma comunicação eficaz?

Se eu tivesse que escolher algumas que sejam cruciais, em primeiro lugar seria aquela que é a base de todo o desenvolvimento das habilidades comportamentais: o autoconhecimento. Ele é a base. Em segundo lugar, eu considero a gestão emocional e uma terceira habilidade importante para viver hoje no mundo de incertezas, volatilidade e ambiguidade é a adaptabilidade. Eu preciso estar disposto a me transformar e me adaptar para lidar com as diversas mudanças que vão acontecer no ambiente.

Como os empresários e as lideranças podem promover e desenvolver as habilidades de comunicação também no seu time? 

O primeiro passo é sensibilizar, desde aquela liderança que está começando até o conselheiro. Nós sempre apresentamos uma série de dados, pesquisas, números e ferramentas sobre a importância desse desenvolvimento deles em primeiro lugar, para que possam ser multiplicadores, afinal, esse é o papel do líder: ser um fator de influência positiva. Junto com a sensibilização também aplicamos a mão na massa, que é gerar um ambiente em que a sala de aula é uma simulação da vida real. Um processo educacional de fato em que falamos de empatia, feedback, entrevista, demissão e inúmeras outras situações que encontramos no nosso dia a dia, provocando reflexões desde o CEO até o colaborador mais júnior do que cada um faz na prática.

Quais são as dicas que você dá para que as lideranças se comuniquem de maneira efetiva em situações de crise ou pressão?

Nos momentos de crise o primeiro passo é respirar, não se levar pelo calor da emoção, por isso precisamos identificar com clareza esse momento para agir racionalmente naquele cenário. O segundo passo é envolver e escutar todos sem tomar partido e identificar quais são os pontos de convergência e divergência para tentar chegar em um senso comum.  A comunicação não violenta deve ser muito utilizada nessa fase, pois se reagimos com uma comunicação mais afetiva, seremos mais assertivos naquilo que buscamos como resposta. São pequenos detalhes que no final do dia ajudam a driblar a crise e criar pontes para chegar no objetivo principal: ter um time de alta performance. Essas ferramentas permitem resultados mais sustentáveis, com bem-estar, engajamento e felicidade para o time.

Pensando no futuro do trabalho, além da comunicação, quais outras people skills você considera essenciais nos líderes de alta performance?

Eu tenho uma série de técnicas associadas à produtividade, à gestão da energia e do tempo que ajudam na performance, mas cada vez mais os líderes querem alta performance, ou seja, querem entregar resultado sustentável e a longo prazo. Hoje, 58% da performance de um profissional é explicada pela sua capacidade de consciência emocional (Inteligência Emocional) x gestão emocional. As pesquisas mostram que uma mesma pessoa é capaz de ser sete vezes mais produtiva se ela estiver no estado de flow em relação a pessoas que estão em uma situação de pré-Burnout. A saúde mental não tem muito mistério, a ciência já mostrou o que precisa fazer para melhorar esse cenário, mas quando você constrói um time baseado em valores e em uma cultura em comum, a chance de ter um grupo com melhor performance é maior.

O que você espera para o mercado na área de empreendedorismo, educação e gestão de pessoas nos próximos anos?

A Inteligência Artificial vai trazer grandes desafios como se discute atualmente, mas na minha visão, hoje, o maior assassino do emprego ainda não é a inteligência artificial, mas sim a falta de inteligência emocional. Hoje, para que essa habilidade seja uma realidade dentro das empresas, é preciso engajamento da alta liderança e do RH das empresas na aplicação da teoria com a prática a partir da educação corporativa. Existem ferramentas e métricas para medir a evolução das pessoas nessa aplicação diária, por isso, entendo que a ciência tem que estar mais presente dentro desses ambientes. Quanto mais a gente falar sobre isso e quanto mais pessoas estiverem envolvidas no Brasil e também fora, eu acredito que a gente vai estar no caminho de uma educação mais massiva sobre a introdução da temática das habilidades nas empresas e no ambiente educacional.

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